Factos de Portugal - Noite Sangrenta


Hoje iremos falar de uma revolta militar que matou várias figuras da primeira república, entre essas figuras estava António Granjo, o presidente do ministério, que nos dias de hoje é conhecido como primeiro ministro.
Após a implantação da república, o país ficou dividido, porque muitos queriam que a monarquia voltasse e outros queriam que a república mantivesse.
Em 1920, Portugal estava a passar por uma grande crise económica devido às quantidades de governos que o país teve em 10 anos, e a nomeação de António Granjo foi a gota de água, isso levou os militares a revoltarem-se contra o governo.
O governo estava com receio de um golpe de estado e circulava informações que o governo pretendia desarmar a GNR, então 6000 militares comandado pelo Coronel Manuel Maria Coelho tomam a rotunda do Marquês, o Parque Eduardo VII e o Terreiro do Paço, de seguida a marinha adere à revolta e ocupam o Quartel de Alcântara e o Arsenal da Ribeira das Naus, posicionando vários navios de guerra no rio Tejo, depois os civis juntaram-se ao movimento militar.
Sem apoio, António Granjo é obrigado a pedir demissão ao Presidente da República, este aceitou a demissão, mas recusou entregar o poder a Manuel Maria Coelho, António Granjo saiu pelas traseiras.


No final do dia vários militares da GNR, marinheiros e civis armados se dirigem para casa de Francisco Cunha Leal, local onde o António Granjo estava escondido, com o objetivo de o prender.
Francisco Cunha Leal entrou em contacto com os revoltosos, estes queriam que Cunha Leal entregasse António Granjo.
Nesse momento, noutro lado da revolta, uma camionete apanhava determinados políticos, numa operação que ficou conhecida como Camionete Fantasma, o primeiro alvo foi António Granjo, que sem saber que se tratava, entrou na camionete, de seguida entrou Cunha Leal, mas que desejava falar com Procópio de Freitas para garantir a segurança.
Chegados ao Arsenal da Marinha, ambos repararam que tinham caído numa armadilha e que os marinheiros estavam a apontar as armas para eles, sem saída, dirigiram para uma embarcação que os levaria para o Couraçado Vasco da Gama, os dois foram separados à força e ao tentar salvarem um ao outro, os marinheiros atingem Cunha Leal com um tiro e António Granjo com dois tiros, ferindo-os.
No Couraçado, os dois são levados à enfermaria, por um grupo que eram contra a morte dos feridos, mas um grupo revoltosos entraram à força, António Granjo saiu do quarto tentando sensibilizar os revoltosos, mas os militares estavam com as ideias firmes, pegaram nas armas e dispararam contra António Granjo, Francisco Cunha Leal conseguiu escapar dos revoltosos e foi levado para o hospital.
Depois de António Granjo, os revoltosos já tinha um novo alvo, José Carlos da Maia, antigo governador de Macau e antigo ministro da marinha, o grupo chegou à sua residência, bateram à porta, retiraram à força dos braços da sua mulher, esta implorou que não o matasse, este foi levado para camionete e no Arsenal da Marinha foi morto quando tentava fugir do navio.


Dois elementos do grupo foram a casa de Ricardo Pais Gomes, advogado e Ministro da Marinha, mas este estava em Viseu nessa altura, então dos dois elementos do grupo seguiram para a casa de Carlos César Freitas da Silva, capitão tenente e chefe do gabinete do ministro da marinha, que se entregou sem resistência, mas no caminho para o Arsenal da Marinha um grupo de revoltosos cercam a camionete e matam o detido.
O próximo alvo era António Machado dos Santos, uma das figuras mais importantes da implantação da República, os revoltosos ao chegar a casa do alvo, este estava no quarto a ameaçar matar-se, mas depois rendeu-se e entregou-se ao grupo, eles meteram o alvo na camionete e seguiram até ao Arsenal da Marinha, no caminho a camionete sofre uma avaria e o grupo fuzila António Machado dos Santos.
A última vítima dos revoltosos foi o coronel Carlos Alexandre Botelho de Vasconcelos, levaram-no para o Arsenal da Marinha e o mataram.


Para não haver mais derramamento de sangue, o presidente da república cedeu e decidiu dar a posse do poder a Manuel Maria Coelho, terminando a revolta.
Posteriormente, apurou-se que os elementos da revolta tinham 180 nomes como alvo, entre políticos, apoiantes do governo e membros da elite financeira.

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